sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O grito dos (in)dependentes


Ouviram do Ipiranga às margens plácidas uma estória própria de pescadores que sempre me fascinou com aquela imagem recorrente nos livros didáticos de história. De um lado, os índios-já-colonizados e os povos-para-cá-trazidos, e do outro um exército de portugueses com armas de fogo nas mãos, mas impotentes diante da imagem do Imperador D. Pedro I, que proclamava a (in)dependência do Brasil naquele cenário bucólico, fazendo eclodir o grito “(In)dependência ou morte”!
Frustrei-me ao saber depois, por meio de minha professora de história do Ensino Médio, que, de um povo heroico o brado retumbante na verdade nunca surgiu. E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos somente o temos nos dias de hoje com o advento do aquecimento global. E que raios fúlgidos capazes de provocar até câncer de pele em quem está em densas sombras! Aliás, se ainda houver sombra em alguns anos... Basta olhar as últimas imagens de satélites e ver que o desmatamento tem uma aceleração maior que as tecnologias de informação. Brilharam no céu da pátria nesse instante apenas raios ultravioleta.Se o penhor dessa igualdade fosse verdade, não teríamos tantas desigualdades sociais, por isso não passas de um jargão para rimar. Entretanto, conseguimos, ó, Brasil, conquistar com braço forte as suas matas, as suas minas, as suas riquezas, deixando um rastro de devastação total! Em teu seio, que não amamenta mais nossas crianças, mas se tornou tetas fartas para políticos, ó Liberdade, clamam os desfavorecidos e oprimidos.Desafia o nosso peito a própria morte e prevalece, pois nossos filhos estão morrendo de gripe suína, aviária, sazonal, dengue e até de meningite, que pensávamos ter erradicado. Ó Pátria amada dos pobres. Idolatrada apenas pelo futebol e por cinco estrelas que carregamos no escudo da CBF! Salve! 1958... Salve! 1962... Salve! 1970... Salve! 1994... Salve! 2002...Brasil, um sonho intenso que virou pesadelo nas mãos dos coronéis em pleno século XXI. E como um raio vívido de amor e de esperança à terra desce, assim descemos em todos os rankings mundiais, sobretudo na renda per capita, na educação e na cultura.Se em teu formoso céu, risonho e límpido, não houvesse tanta fumaça de indústrias que não tratam seus lixos e de gás carbônico lançado todos os dias, quem sabe a imagem do Cruzeiro um dia ainda resplandecesse. Gigante pela própria natureza, tu eras, hoje já não és mais... És belo, és forte, impávido colosso, pois mesmo diante de tanta corrupção ainda sobrevivemos como uma nação, ainda pagamos nossas dívidas com o FMI e, por ironia, até emprestamos dinheiro para eles e deixamos morrer a política de moradia, reforma agrária, saúde e educação. O importante é ter crédito lá fora... É bancar a farra para os outros... E o teu futuro espelha essa grandeza de país solidário-com-as-causas-dos-outros-e-não-as-nossas! Terra adorada, entre outras mil, pois em qual terra roubariam tanto e ficariam incólumes? És tu, Brasil, Ó Pátria amada o país das maravilhas? Dos filhos deste solo deixaste de ser mãe e és mãe gentil para vereadores, prefeitos, deputados, governadores e senadores... Pátria amada, Brasil desperta enquanto é cedo e derruba os que a exploram. É o grito dos (in)dependentes!Deitados eternamente em berço esplêndido estão nossas crianças pelas calçadas e nossos índios sendo queimados em praça pública e ainda vivos ao som do mar e à luz do céu profundo. Fulguras, ó Brasil como umas das maiores apostas no mercado internacional, pois quem não te quer explorar se és o florão da América? E que seja iluminado ao sol do Novo Mundo que ainda esperamos, simplesmente por sermos brasileiros e, como diria outro jargão, “não desistirmos nunca”!Do que a terra mais garrida outrora, hoje já não se vê tanta beleza, pois a fumaça tomou o lugar das nuvens, os pássaros já se autoexilaram para outro lugar, resta apenas teus risonhos, e lindos campos para devastar, mesmo sabendo que neles ainda têm mais flores; pois flores não importam, o que importa é pasto!“Nossos bosques têm mais vida”, ainda bem que está entre aspas, pois sentenças entre aspas podem significar ironia. “Nossa vida” no teu seio “mais amores” é o que fazem os poderosos quando joga na lama a credibilidade que lhes damos por meio do voto democrático. Ó Pátria amada pelos necessitados. Idolatrada apenas pelo futebol, a ponto de ter dois campeões em um mesmo ano sem que os dois se tenham enfrentado! Salve o Sport, legítimo campeão de 1987, gritam 160 milhões de brasileiros legitimados pela CBF e pela Fifa. Salve o Flamengo, gritam os quase 33 milhões de brasileiros e a imprensa carioca, que é descaradamente flamenguista.Brasil, de amor eterno seja símbolo do que te propusestes a ser, e não daquilo que querem que sejas! O lábaro que ostentas estrelado prova que aqui a lei que prevalece ainda é a do mais forte, já que Ordem e Progresso, escrito em tua flâmula, foi sugestão de um ministro da guerra.E diga o verde-louro desta flâmula - Paz no futuro só a teremos se resolvermos nosso presente, e glória no passado é coisa de museu! Mas se ergues da justiça a clava forte que acerta somente o menor e não o maior, mesmo assim verás que um filho teu não foge à luta, e a maior prova disso é o famigerado salário mínimo pago a milhões de brasileiros que com ele têm de pagar as suas necessidades vitais básicas e as de sua família, com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer (leia-se cultura), vestuário, higiene, transporte e previdência social com reajustes anuais. É o que preconiza a tua Constituição, enquanto que todas as demais coisas mantêm reajustes quase que diários, por isso nem teme, quem te adora, a própria morte, pois a verdade é que cansamos...Terra adorada, entre outras mil, pois em qual terra que roubariam tanto e ficariam incólumes? És tu, Brasil, ó Pátria amada o país das maravilhas?Dos filhos deste solo deixaste de ser mãe e és mãe gentil para tantos opressores... Pátria amada, Brasil, desperta enquanto ainda é cedo e ainda temos esperança. É o grito dos (in)dependentes!
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De Jonas P. Barbosa (Publicado no jornal Hoje Em Dia, Sexta-feira, 11/9/2009)
Desenho de Thalyssa Viana (9º ano do Ensino Fundamental)

domingo, 30 de agosto de 2009

GOVERNO BRASILEIRO FAZ ACORDO COM A IGREJA CATÓLICA EM DETRIMENTO DE TODOS OS OUTROS CREDOS RELIGIOSOS

O Governo brasileiro enviou à Câmara dos Deputados a mensagem 134/2009

que reconhece o estatuto jurídico da Igreja Católica. Após a mensagem ser

apreciada em uma das comissões para a qual foi enviada, seja aprovada

ou não, transforma-se em projeto de decreto legislativo, recebendo o nº

1736/2009. No plenário da Câmara, a pedido dos líderes partidários, foi

aprovada a caráter de apreciação urgente, urgentíssimo.

Com muito respeito aos senhores deputados, será que não existe matérias

mais relevantes a serem discutidas de maneira urgente em benefício de todo

o povo brasileiro? Isto é um absurdo! Na verdade, este acordo beneficia a

Igreja Católica na evangelização do povo brasileiro nos diversos segmentos

da sociedade, incluindo hospitais, escola e forças armadas.

O mais grave é que este acordo contraria o inciso 1º, do artigo 19, da

Constituição Brasileira, que diz: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito

Federal e aos Municípios: I - Estabelecer cultos religiosos ou igrejas,

subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou

seus representantes relação de dependência ou aliança, ressalvadas na

forma da lei, a colaboração de interesse público”.

A nossa nação não pode firmar aliança com qualquer credo religioso, ferindo

o princípio da laicidade, inclusive com a quebra da isonomia nacional!

Aproximadamente 70 milhões de brasileiros, que não são católicos, estão

sendo discriminados. Temos a convicção de que a maioria do povo católico

não concorda com um absurdo dessa grandeza, porque são pessoas

democráticas.

Com a aprovação deste acordo ficará a Santa Sé, por meio da CNBB, com

plenas condições de fechar acordos com o governo brasileiro, sem que jamais

tenham de passar pelo Congresso Nacional. É um verdadeiro “CHEQUE EM

BRANCO” para a Igreja Católica. Isto é uma vergonha!

Senhores deputados, não aprovem este acordo. Fiquem certos de que não

mediremos esforços para informar a todos os credos religiosos quem são os

deputados que votaram a favor deste acordo discriminatório.

Estendemos o eco da voz deste manifesto ao Senado da República, próxima

casa legislativa que terá de apreciar o resultado apurado pela Câmara dos

Deputados.

Tenham a absoluta certeza de não temos memória curta e que vamos pensar

muito bem em quem vamos votar nas próximas eleições para Deputado

Federal, Senador e Presidente da República.

EM FAVOR DO ESTADO LAICO, DIGA NÃO AO PDC 1736/2009

FONTE: CIMEB – Conselho de Pastores do Brasil


ESPALHE ESSA MENSAGEM PARA TODOS OS SEUS CONTATOS, PRINCIPALMENTE PARA O POLÍTICO EM QUEM VOCÊ VOTOU.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A HISTÓRIA DE ÉDIPO NO PALÁCIO DAS ARTES (ENTRADA FRANCA)

Do grupo de teatro Andante: Um clássico da tragédia grega. Aborda a ambição do poder, os limites entre público e privado e a importância de cada pessoa assumir sua própria história. Duração: 50 minutos. ENTRADA FRANCA. Local: Jardins Internos do PALÁCIO DAS ARTES.

Apresentação: Sex 9:30 e 19:30; Seg 09:30 e 15hs; Ter 09:30; Qua 09:30 e 19:30.

A HISTÓRIA DE ÉDIPO

Apesar de ter sido escrita por Sófocles, há 2.500 anos, esta história continua famosa até os dias de hoje.

A história se passa na cidade de Tebas, localizada na Grécia Antiga, onde Édipo foi coroado rei. Ele foi considerado um herói pelo seu povo por ter destruído um monstro que se chamava Esfinge e devorava aqueles que não decifrassem o seu enigma: "decifra-me ou devoro-te!"

A Esfinge perguntou: o que é o que é, que de dia anda sobre quatro patas, à tarde com duas e à noite com três? O homem, respondeu Édipo. É nesse ponto da história que se inicia o espetáculo do grupo de teatro Andante.

Pelo seu feito, Édipo recebeu prêmio o trono de Tebas, pois o seu soberano Laio, havia saído da cidade em busca de socorro e nunca mais havia voltado: ele foi assassinado durante a viagem. Édipo recebeu também, a rainha Jocasta como esposa, como era a tradição, e com ela teve quatros filhos. A cidade passou a viver bem, com alegria e prosperidade.

Passados os anos, a cidade é novamente arrasada pela peste. Os governantes, que acreditavam nos deuses e os consultavam sobre os assuntos importantes, foram ao oráculo saber o que deveriam fazer para salvar a cidade. Eles ordenaram a Édipo que descobrissem o assassino de Laio. Édipo, um bom rei, decide obedecer aos deuses e investigar este antigo assassinato. Porém, através desta investigação, ele descobre, com grande surpresa, o que o destino lhe reservou: Laio era o seu pai e foi ele, sem saber, quem o assassinou. E descobriu anda que Jocasta era sua própria mãe. Jocasta se mata e Édipo, para se punir, resolve furar os olhos, para nunca mais ver a vergonha que fez.

Este é um dos mitos mais famosos da humanidade: a história do homem que, em busca de suas origens, descobriu que matou o pai e casou-se com a mãe, o que é a maior proibição da nossa cultura e da nossa ética.

Mesmo tendo sido escrita no séc. V a.C., a peça apresentada pelo grupo Andante é bastante atual: fala da importância de cada pessoa conhecer seu passado, para poder tomar decisões corretas durante a vida. Fala ainda da determinação do destino e da liberdade de escolha. A psicanálise utiliza o mito de Édipo para falar da formação da personalidade nas crianças: o chamado "complexo de Édipo".

Esta história é uma das mais montadas no teatro em todos os países do mundo e traduzida para todas as línguas. Isso mostra que este mito é mesmo muito importante para nós.

Apesar de se tratar de uma obra clássica, o grupo de teatro Andante (Direção de Marcelo Bones - Elenco: Ângela Mourão, Beto Militani, Gladys Rodrigues e Glauco Mattos.) procura contá-la de maneira bem moderna, unindo o clássico ao contemporâneo, com figurinos contemporâneo, música tocada ao vivo e fogos de artifícios que surpreendem o público na exibição.

Enfim, um bom motivo para mostrar que NÃO PRECISAMOS DE "VALE-CULTURA". O que precisamos é de APOIO E INCENTIVO À CULTURA.

Vale a pena conferir os espetáculos. Quem for, não irá se arrepender!!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Vale-cultura

O "Vale-cultura" criado pelo governo federal é mais uma prova de que o Art 7º, inciso IV da Constituição Federal está obsoleto. O artigo diz que "“(...) são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: IV – salário mínimo, fixado por lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer(LEIA-SE, CULTURA), vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim(...)”. Não seria melhor reajustá-lo de forma que atenda TODAS as necessidades descritas acimas? Não entendo esse governo que se diz do partido dos trabalhadores e que só tem criado "muletas" para sustentar o pobre. Já não bastasse o bolsa-família (benefício concedido a famílias carentes que têm filhos matriculados em escolas públicas, vale ressaltar que o critério para aquisição de tal "muleta" NÃO precisa nem ser o desempenho do filho na escola, basta somente a frequência que o benefício é concedido...), depois o vale-gas, agora o Vale-cultura (que também poderá virar vale-gas ou vale-qualquer-outra-coisa-que-não-seja-cultura)!! É rir da desgraça do outros enquanto se diz que está é ajudando... Quem ajuda não dá o peixe, ensina a pescar!!!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

PEDAGOGIA DO OPRESSOR[1]

“É que Narciso acha feio tudo aquilo
que não é espelho.”
Caetano Veloso

“É mais fácil desistir do que insistir”.
Dito Popular

No artigo 22 da Lei nº 9394/96, de 20 de dezembro de 1996, diz que os governos estaduais e municipais, responsáveis pela educação básica, devem ‘desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores’. Portanto, na mesma Constituição Federal há também expresso no Art. 7º, inciso IV que diz “(...) são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: IV – salário mínimo, fixado por lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim(...)”. Ou seja, da mesma forma que o cidadão tem direito a um “salário mínimo”, do qual o mesmo não é capaz de suprir-lhe todas as necessidades estipuladas na Constituição, da mesma forma, governos estaduais e municipais recebem da União “verbas” para que os governos destinem àquilo que é estipulado nas leis de distribuição de cada estado/município.
Logo, não acredito que os governos estaduais e municipais sejam negligentes quanto à finalidade da Educação Básica. Até mesmo porque, assim como o famigerado “salário mínimo” não corresponde com todas as necessidades do cidadão brasileiro, igualmente acontece no governo estadual e municipal que recebem “verbas” que serão repassadas à educação.
Relendo o livro de Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia[2], em momento algum percebi o autor culpar o sistema público, seja ele qual for, como negligentes ou responsáveis pelo possível fracasso na Educação Básica no Brasil. O problema é que, muitos professores, diferentemente de outros profissionais, como por exemplo, os da medicina, acreditam tanto no fracasso de suas profissões que preferem desistir de lutar por um ensino melhor do que insistir contra o sistema – essa engrenagem que corrompe e destrói. Somente o fato de o professor desistir de lutar e preferir colocar a culpa no governo, já demonstra uma escolha política, pois ser omisso é o mesmo que compactuar com essa macro-engrenagem, que leva muitos à mesma decisão, por ser o caminho mais curto, consequentemente, menos trabalhoso.
Colocar a culpa no governo estadual e municipal torna-se mais fácil do que insistir e persistir na busca de um ensino melhor, pois o que eu faço, não pode ser medido pelo que eu ganho, até mesmo porque, quando fiz a minha escolha pela licenciatura, não foram os “altos” salários que me atraíram, e sim, minha vocação e minha convicção de que, como professor, posso ser um gestor/multiplicador de ideias.
Pedagogia da Autonomia é um livro pequeno em tamanho, mas gigante em esperança e otimismo, pois condena as mentalidades fatalistas que se conforma com a ideologia imobilizante de que "a realidade é assim mesmo, que podemos fazer?" Para estes, basta o treino técnico indispensável à sobrevivência. Em Paulo Freire, educar é construir, é libertar o ser humano das cadeias do determinismo neoliberal, reconhecendo que a História é um tempo de possibilidades. É um "ensinar a pensar certo" como quem "fala com a força do testemunho". É um "ato comunicante, co-participado", de modo algum produto de uma mente "burocratizada". No entanto, toda a curiosidade de saber exige uma reflexão crítica e prática, de modo que o próprio discurso teórico terá de ser aliado à sua aplicação prática. E isso requer trabalho, muito trabalho. O que na verdade, parece ser um preço que a maioria dos docentes não quer pagar.
Antes de escrever esse artigo, acreditava que o fracasso da educação no Brasil poderia ser atribuído totalmente aos governos, por falta de incentivos financeiros. Depois de ler o livro de Freire, acabei descobrindo que o poder público, sobretudo estadual e municipal, no uso de suas atribuições, faz a sua parte o que os torna participativo e não negligentes no que diz respeito à Educação Básica.
Portanto, de minha modéstia parte, estado e município estão inocentados de negligência e culpo a União por tal negligência, isso porque, a distribuição da renda para educação parece-me ser realizada de forma irregular. Um estudo do próprio Ministério da Educação concluiu que o investimento de 4,3% do PIB é insuficiente para resolver este problema secular. Segundo o mesmo estudo, seriam necessários 8% do PIB para tal. Não bastasse isso, o foco do investimento em educação no Brasil privilegia a elite, ao investir pesadamente no ensino superior, pois enquanto o ProUni serve de bandeira eleitoral, o FUNDEB mal saiu do papel.
Esse descaso político tem um preço altíssimo, pois os pilares educacionais formam-se na educação infantil e nas primeiras séries do fundamental aonde deveria ter maiores investimentos. É o que faz países como os Estados Unidos, Coréia e Japão. No Brasil, a União (Governo Federal) faz justamente o contrário, privilegiando o Ensino Superior e menosprezando a Educação Básica. Por isso, a universidade padece com a qualidade sofrível dos jovens, que têm dificuldades até mesmo para ler e escrever, derivativas de uma formação fragilizada e ineficiente nas séries e estágios anteriores de suas formações.
O que postulo é que nós, professores, não devamos ancorar nesse discurso pessimista e tornar nossas aulas medíocres, tentando nivelar meu conhecimento e minha capacidade de ensino ao que ganho. Isso se torna uma Pedagogia do Opressor, que na verdade é cíclico. Quando aluno, ouvimos essas mesmas reclamações, assistimos às mesmas paralisações e apoiamos as mesmas greves... Agora, enquanto professor, devo fazer a escolha de repetir esse discurso pouco respaldado e menos responsável ou lutar contra o sistema através de uma excelência na gestão do Ensino?
Para Freire, o homem e a mulher são os únicos seres capazes de aprender com alegria e esperança, na convicção de que a mudança é possível. Aprender é uma descoberta criadora, com abertura ao risco e a aventura do ser, pois ensinando se aprende e aprendendo se ensina.
Enfim, chegou a hora de decidirmos: de que lado quero estar? De que lado você, meu caro colega de sala, está?
Se fosse para sintetizar a teoria de Paulo Freire em Pedagogia da Autonomia para respaldar minha escolha diria que “ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade; comprometimento; compreensão de que a educação é uma forma de intervenção no mundo; liberdade e autoridade; tomada consciente de decisões; saber escutar; reconhecimento de que a educação é ideológica; disponibilidade para o diálogo; querer bem aos educandos”.
Portanto, se esse é o preço que não queremos pagar, ou melhor, que você não queira pagar, já não estaria na hora de investir em outra área que não a licenciatura?
Como diria Howard Gardner em Inteligências Múltiplas “precisamos atrair para o magistério indivíduos mais fortes, precisamos melhorar as condições para que eles permaneçam ensinando e precisamos utilizar nossos professores-mestres para ajudar a formar a nova geração de alunos e professores”. O caminho para essa conquista já começamos a desenhar, só falta pintá-lo com tons mais fortes e com mais lápis de cores juntos.

Jonas Pinheiro Barbosa
Professor da rede pública

[1] O título do artigo é inspirado no livro ‘Pedagogia do oprimido’ de Paulo Freire.
[2] FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 16ª ed. São Paulo: Paz e Terra,2000.165p.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

NOTA DE AGRADECIMENTO À EQUIPE DO HOJE EM DIA

Quero agradecer ao Sr. Carlos Oliveira (Presidente do Hoje em Dia) pela atenção dispensada ao assunto (postagem anterior) e por ter vindo até à minha residência, confirmando que de fato, o endereço é possível de ser achado.

à sra.(ta) Beatriz pelo contato em 01/07/2009 e à srta. Gislaine (setor de vendas) que tem dispensado atenção absoluta ao caso;

À sra.(ta) Yolanda pelo contato e acompanhamento no dia 02/07/2009 e ao Sr. Luiz Felipe (Coord. Entregas) que também esteve em meu endereço na madrugada desse dia.

Agora espero poder fazer minhas leituras diárias...

terça-feira, 30 de junho de 2009

NOTA DEZ AO NOVO JORNALISMO DA RECORD

Nota 10 para o novo jornalismo da Rede Record. A estréia ontem (29/06/2009) com a apresentadora Ana Paula Padrão não deixou nada a desejar. O Jornal promete concorrência acirrada com o horário nobre, a tempo mantido em monopólio pela grande imprensa. Além de uma excelente apresentadora, a jornalista Ana Paula Padrão demonstrou porque é uma das melhores jornalistas e repórter desse país (o que é muito difícil). O quadro SOS BRASIL com as reportagens sobre os problemas sociais também promete pela qualidade e pela coerência. Gosto quando vejo uma denúncia seguida de uma sugestão como foi o episódio de ontem. Criticar é fácil, mas sugerir parece-me ser mais coerente e participativo!

Agora, nota ZERO para o Hoje em dia que não consegue manter uma regularidade na entrega dos meus jornais diários... Segue abaixo a cópia da carta que enviei aos responsáveis pelo tal meio de comunicação.

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Carta enviada ao HOJE EM DIA em 30/06/2009 (via e-mail)

Srs. Diretores e coordenadores do Jornal Hoje em Dia;

Quero deixar aqui registrado minha insatisfação com o Jornal Hoje em Dia não como leitor, todavia como co-assinante[1].
Acredito ser de extrema importância minha colocação, pois no mercado competitivo e no mundo corporativista em que vivemos a regra número um de todo empreendimento é aferir o nível de satisfação do seu cliente para poder atendê-lo cada vez melhor.
Não gostaria de sair do rol de assinantes do Hoje em Dia sem dar-lhes explicações, acredito eu, convincentes do meu pedido de exclusão. E o faço pela última vez por escrito porque não quero ser mais incomodado com o merchandising de uma empresa que já me cansou, o que me deixa realmente preocupado, por se tratar de uma empresa do segmento da comunicação e ironicamente ou propositalmente, o meu pedido de exclusão se dá justamente pela falta dela – a comunicação.
Desde quando assinei o referido Jornal venho tendo problemas com a entrega do mesmo. Fato esse reclamado, registrado inúmeras vezes pelo setor de atendimento e relacionamento com o cliente, o que pela reincidência dos fatos, leva-me a crer que as indagações feitas não foram apuradas, pois os problemas persistiram. Esse pedido de cancelamento de assinatura já solicitado inúmeras vezes anteriormente (como inúmeras vezes foi também a falta de entrega), todavia sempre há um(a) excelente call center que pelas promessas de fidelidade nos faz idiotamente tentar mais uma vez. Talvez essas tentativas só foram consolidadas pelo meu hábito obcecado pela leitura – já que sou professor de língua na rede pública e privada. Como sou formador e multiplicador de opinião não gostaria de continuar com a má impressão do Jornal, haja vista ser um dos melhores de Minas Gerais, apesar do outro se intitular “O jornal dos mineiros”... E é justamente pela qualidade de jornalismo e pela seriedade como o grupo HOJE EM DIA desempenha seu árduo trabalho de informar e pelas oportunidades que nele são dadas através da seção “Jornalistas em formação” é que gostaria de pedir em DEFINITIVO a minha exclusão como assinante, colaborando assim com os senhores, pois pelo menos sairia agora com uma má impressão menor, do que continuar mantendo vivos os problemas dos quais julgo ser de escala primária: a entrega. Não sei para o Jornal, entretanto para mim, a única coisa que se espera de um jornal diário é a ENTREGA DIÁRIA, factual e pontual. Não devo estar pedindo favores quanto a isso! Se for, peço desculpas por não ter usado a palavra antes...
Para tentar resolver esse problema, já dei inúmeros detalhes sobre o local, desde cor do portão, nome de outras ruas que fazem esquina, nomes de estabelecimentos comerciais próximos, dizeres escritos no portão, ou seja, uma infinidade de informações desnecessárias para mim, já que os Correios, a Cemig, a Copasa e outras malas de direta (também sou assinante do Grupo Abril: Nova Escola e Veja) que me entregam todos os periódicos sem nenhuma dessas informações complementares, apenas com o nome da rua e número, o que achava que era suficiente, até tentar assinar o Hoje em Dia. Digo tentar porque não considero que consegui e ainda acredito que pelo números das tentativas, fica provado que eu era o mais interessado na resolução do caso. E lamento não ter conseguido porque o Jornal de fato, me cansou. Estou cansado de tentar... Vou ter que apelar pelo “jornal dos mineiros” mesmo... Ou aquele outro do emblema verde e que está na promoção de incentivo à leitura também. Talvez seja a decisão mais sábia e lúcida a fazer no momento.

Portanto, saio do rol de assinantes (sem ter conseguido ser assinante de fato) sem nenhuma impressão do Jornal, nem boa, nem má. Só não queria sair sem antes explicar o motivo para que os senhores não deixem ocorrer com os próximos assinantes o que ocorreu comigo. Pois tenho aprendido que criticar sempre é mais fácil, mas dar sugestões de melhorias nem sempre o é. Torço pelo fato ter acontecido só comigo... A diferença é que costumo registrar minhas reclamações depois de várias tentativas e às vezes o faço assim, aos diretores e coordenadores que por questão de delegar responsabilidades, nem sempre ficam sabendo de tais fatos, ora aqui reportados.

No entanto, aguardo respostas por parte do Jornal;

Atenciosamente;

Jonas P. Barbosa

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[1] Co-assinante porque a assinatura foi feita em nome de minha esposa. Cód. Assinante: A79793, mas os dados para débito em conta são meus.

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Vamos ver quando terei resposta das minhas indagações...