quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O panetone nosso de cada dia

Pai nosso que estás no céu, e ainda bem que estás no céu porque se estivesses na terra não irias acreditar no que suas criaturas têm se transformado;
Santificado seja o teu nome, embora alguns ultimamente não conhecem a proporção disso e o tem usado em vão o que me leva a acreditar que se estivéssemos no tempo da lei de Moisés esses tais seriam consumidos – e é uma pena não termos esse recurso da justiça divina no pós-lei hoje, se assim o fosse, o número de sobreviventes em Brasília seria ínfimo.
Venha a nós o teu Reino, pois, como já dissemos no grito dos (in)dependentes[1], a verdade é que cansamos; cansamos de ver tanta impunidade e agora já não respeitam mais nem o nome de Deus; cansamos do governo dos homens, esses seres corrompidos pela mesma serpente edêmica e que são levados apenas pelos olhos e esquecem do adágio popular que diz “o peixe morre é pelos olhos e não pela boca”.
Seja feita a Tua vontade, julgando e punindo esses filhos de Adão que querem sempre achar uma Eva para culpar, e quando a acham Eva também joga a culpa na serpente... A verdade é que não sabemos quem é mais Adão, Eva e serpente...
Julgas assim na terra como no céu, pois se julgastes quem estavas com o coração tomado de orgulho, imaginem o julgamento de alguém que além do orgulho ainda sobrou espaço no coração para roubar o pobre e o necessitado, tirando da mesa destes o pão nosso de cada dia, com a desculpa de que pão, apesar de ser consumido desde a época dos faraós, hoje já não é tão aconselhável tê-lo à mesa e querem substituí-lo por panetone, sim, por pa-ne-to-ne! Só esqueceram que nossos filhos não são acostumados com as especialidades de Milão e desprezar o dito popular é demonstrar que não tem sabedoria e sim, burrice; pois diria o dito “quando a oferta é demais, o santo desconfia...” Ainda mais quando se encontra do outro lado as mãos ofertantes de um Zé Carioca com o espírito de Tio Patinhas...
Perdoa as nossas dívidas, pois não estamos conseguindo cumprir com o que é mais simples, perdoar os nossos ofensores, todavia, como somos brasileiros e não desistimos nunca, confessamos que um dia perdoaremos, não só perdoaremos como esqueceremos, e para provar que isso é verdade, votaremos nos mesmos nomes no próximo pleito como forma de demonstrar que também não temos memória!
E não nos deixes cair em tentação é uma sentença que os filhos de Adão têm procurado mudar para “E nos deixe cair em tentação”, pois na tentação o diálogo com o tentador parece mais compensador. Imaginem um filho de Adão no cume da montanha diante de tal tentação “tudo isso te darei se prostrado, me adorares!”
Livra-nos do mal, pois cansamos do mal que agora se disfarça de bem, corrompendo o espírito natalino, até então tido como uma data de comemorações sinceras. E até esse sentimento os filhos de Adão conseguem corromper, pois o panetone, que tanto gostávamos e estava presente em todas as nossas ceias natalinas já passa a ter um segundo significado.
E tudo isso têm nos acontecido, porque esquecemos, como bons brasileiros que somos, que Teu é o governo, o poder e a glória para sempre, embora os filhos de Adão tentem tomar para si, não só o governo, mas também o poder e a glória.
Talvez seja por tudo isso que estamos colhendo o que plantamos no pleito passado.
Porque nessa terra adorada e idolatrada, o que não acaba em pizza, acaba em panetone...
Será que não poderiam pelo menos mudar a nacionalidade da culinária?
Salve! (a pizza) Salve! (o panetone)

(p.s.: Aos meus amigos Ítalo Chesley e Osmar, por não se aliarem à História Didática.)

[1] O grito dos (in)dependentes foi publicado no Jornal Hoje em Dia na edição de 11/09/2009.

2 comentários:

  1. Mestre, que texto maravilhoso. Obrigado por ter mencionado meu nome e por publicar essa tão preciosa literatura aqui no seu blog...to esperando voce em Gevê de novo!!!

    Grande abraço!

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  2. Gde abraço Chesley... Nos veremos em breve!

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